Vilas Operárias: o domínio da fábrica na paisagem urbana de São Paulo

Neste curso buscamos promover um resgate histórico e uma problematização historiográfica sobre as inúmeras Vilas Operárias construídas há mais de 130 anos nos antigos bairros operários da cidade de São Paulo e do interior paulista. 

Curso On-line.

Data: 19 e 20/05, quarta-feira e quinta-feira, das 19h às 21h.

Professores: Danielle Franco da Rocha, Edimilsom Peres Castilho, Eribelto Peres Castilho

Apresentação

Nas primeiras décadas do século XX, a nascente indústria paulistana exigia um número sempre crescente de trabalhadores, situação que demandava um expressivo aumento de moradias para abrigar a classe operária empregada nas atividades ligadas a esse setor. A solução ideal defendida desde fins do séc. XIX pela higiene pública para a questão da habitação popular era a construção das vilas operárias pelos poderes estatais ou pelos industriais nos bairros periféricos da cidade; “solução” que combinava a pretensão utópica da burguesia industrial de “fabricação da classe trabalhadora desejada”, a luta sistemática dos higienistas sociais contra as moradias coletivas e insalubres da população “pobre” da cidade, e a possibilidade de mais um negócio lucrativo tanto para os industriais, quanto para as companhias de saneamento, com a construção das “habitações higiênicas e baratas”.
Embora haja variações, as Vilas Operárias construídas na cidade de São Paulo são conjuntos de moradias erguidas no interior de um terreno interligadas por uma via interna que acessa a via pública. Geralmente eram construídas próximas ao centro industrial que empregava seus moradores, chegando, em alguns casos, a comportar várias ruas, praças, jardins, creches, centros comunitários, escolas, igrejas e outros bens de uso coletivo.
Nos antigos bairros operários da cidade de São Paulo, principalmente nos localizados próximo ao trajeto ferroviário, como o Bom Retiro, Brás, Belém, Belenzinho, Mooca, Ipiranga e Lapa, estão espalhadas inúmeras Vilas Operárias, construídas contíguas ou próximas de indústria importantes que já não existem mais, mas que permanecem marcando a paisagem urbana atual, deixando uma rica herança cultural material e imaterial desse importante período histórico.

Professores

DANIELLE FRANCO DA ROCHA
Doutora em História Social pela PUC-SP, Mestre em Ciências Sociais e Bacharel em Ciências Econômicas pela PUC-SP. Professora e Pesquisadora do Instituto Bixiga. Professora de História e Educação Patrimonial nas Licenciaturas de História, Letras e Pedagogia. Professora do Curso de Especialização em História, Sociedade e Cultura da PUC-SP. Tem experiência nas áreas de História, Educação, Economia, Sociologia, e Serviço Social. Atuando nos seguintes temas: História Social da Cidade, Educação Patrimonial, História Brasileira e Latino Americana. Pesquisadora do Centro de Estudos de História da America Latina (CEHAL) ambos do Programa de Estudos Pós-Graduados em História Social da PUC-SP.

EDIMILSOM PERES CASTILHO
Doutor e Mestre em História Social pela PUC-SP. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Uberlândia. Professor e Pesquisador do Instituto Bixiga. Professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Ibirapuera UNIB. Professor do Curso de Especialização em História, Sociedade e Cultura da PUC-SP e do Curso de Especialização em Arquitetura e Urbanismo do SENAC-SP. Tem experiência nas áreas de História Social da Cidade, Arquitetura e Urbanismo, Arquitetura da Paisagem. Atuando nos seguintes temas: História e Cidade, Educação Patrimonial, História da Arquitetura e Urbanismo, Mapeamento e Informação em Cidade, Planejamento Territorial. Pesquisador do Núcleo de Estudos de História Social da Cidade (NEHSC) e do Centro de Estudos de História Latino-Americana (CEHAL) ambos do Programa de Estudos Pós-Graduados em História PUC-SP.

ERIBELTO PERES CASTILHO
Doutor e Mestre em História Social pela PUC-SP. Bacharel em Direito pela PUC-SP. Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Professor e Pesquisador do Instituto Bixiga. Professor adjunto IV do Curso de Direito da Faculdade Zumbi dos Palmares (FAZP). Professor do Curso de Especialização em História, Sociedade e Cultura da PUC-SP. Tem experiência nas áreas de História, Economia, Direito, Ciência Política, Serviço Social, atuando nos seguintes temas: História e Economia Brasileira e Latino Americana, Direito, Sociologia, Serviço Social. Pesquisador do Centro de Estudos de História Latino-Americana (CEHAL) e do Núcleo de Estudos de História Social da Cidade (NEHSC), todos ligados ao Programa de Estudos Pós-Graduados em História da PUC-SP.

Conteúdo Programático

APRESENTAÇÃO
Vilas Operárias: Localização e Tipologias

1 – O processo de implantação da indústria paulista e as Vilas Operárias
1.1. Autarcização da Produção Agroexportadora e a modesta rede urbana no Brasil.
Da senzala ao Colonato
1.2. Autarcização da Produção Industrial e Simultaneidade da Industrialização com Urbanização
As Vilas Operárias do interior paulista

2 – A redefinição do padrão de crescimento urbano
2.1. Imigração e Expansão Urbana
2.2. O Salto Populacional

3 – A questão da Habitação Popular
3.1. A especulação imobiliária
Novos Loteamento Populares – O barão e o engenheiro
Construção de Vilas Populares – Os empreendedores e a sociedade mutualista
O Cortiço – o dono do cortiço
3.2. Gestão “científica” da Habitação Operária
Um diagnóstico da comissão de exame das habitações operárias em 1893
A regulamentação sanitária da habitação operária
3.3. As Vilas Operárias e o processo de industrialização na cidade de São Paulo
A instalação da indústria no subúrbio paulistano
Controle Social e Disciplina das Vilas Operárias
Exploração força de trabalho

4 – Movimento Operário e Habitação
4.1. Formação da força de trabalho urbana
4.2. As Greves do começo do século XX

4.3. A questão da moradia no movimento operária

Carga Horária
04 horas/aula
Aos participantes serão conferidos certificados que podem ser aproveitados para as Atividades Complementares exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais.

*Ao se inscrever no curso o participante autoriza o INSTITUTO BIXIGA – PESQUISA, FORMAÇÃO E CULTURA POPULAR a utilizar suas imagens produzidas no âmbito do curso (fotografias e filmagens), para utilização em materiais de divulgação e publicações do instituto ou conforme outras necessidades dessa instituição, sem qualquer ônus material ou imaterial, por tempo indeterminado.

Conteúdo do Curso

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