RolêSP Territórios Negros: Manifestações Culturais e Festas Populares no Largo do Rosário dos Homens Pretos.

Atividade Online - Gratuita

Data: 10 de março de 2022 (quinta-feira)

Horário: das 19h às 21h.

APRESENTAÇÃO

Em março o Instituto Bixiga promove mais uma Edição Gratuita do Projeto – RolêSP – Territórios Negros, atividade educativa que pretende transportar os participantes para o centro de São Paulo e conduzi-los numa jornada pelos importantes Territórios Negros ali presentes e que representam parte importante da história de Lutas e Resistência da População Negra da cidade.

Nessa edição vamos conhecer as principais Manifestações Culturais e Festas Populares praticadas no Largo da centenária Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, o “mais antigo e menos pesquisado território negro em São Paulo”. [1] 

Fundada ainda no final do século XVIII, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos cumpriu ao longo do século XIX dois importantes papéis: “O primeiro foi o de mobilização para a compra de cartas de alforria para os escravizados. O segundo foi, ainda que sob o verniz da cristandade, o de se tornar um centro de manutenção da cultura africana, bem no coração da Paulicéia”.[2]

“A construção de uma igreja pela Irmandade e a existência de um chafariz no largo faziam do local um ponto de concentração de cativos e libertos. Era comum que congadas, batuques e moçambiques ocorressem ali, principalmente nas celebrações do dia de São Benedito e da padroeira da Irmandade. Afora isso, a concentração de quituteiras, negros de ganho e ambulantes de toda sorte era bastante comum naquela localidade”.[3]

No início do século XX, o que até então havia sido tolerado, passou a ser alvo das mudanças que o “progresso europeizante” da oligarquia impunha. “O prefeito Antonio Prado, com apoio da Câmara Municipal, converter-se-ia em um ardoroso defensor da reurbanização, que tinha por objetivo apagar os vestígios da memória colonial. Uma tendência inspirada pelos ventos do positivismo republicano que varriam o país. A concentração de negros e de seus batuques no coração da capital do café definitivamente ia contra tais ventos. A melhor maneira de atacar a questão, descobriu-se, era a demolição da igreja, foco de concentração daquela coletividade. Em troca, ela poderia ser reconstruída em outro local, mas obedecendo a rígidos padrões e normas definidos pela municipalidade que impossibilitariam a Irmandade de retomar o seu papel sociabilizante de outrora”.[4]      

Iniciava-se assim um novo ciclo de oposição, resistência e lutas frente as investidas dos antigos escravocratas com seus recorrentes processos de “remoções” e “remodelações urbanas”, cujo elemento popular, particularmente negros e mestiços, era o alvo principal.

Em 1906, a Irmandade dos Homens Pretos reergueu a igreja no antigo Largo do Zunega, renomeado em 1953 como Largo do Paissandú, local que continuou a ser ponto de encontro de lavadeiras, quituteiras, vendedores de ervas e demais trabalhadores que usavam a Ponte do Acú sobre o Rio Anhangabaú para acessar o centro antigo em direção à Sé.

[1,2,3 e 4] CASTRO, Márcio Sampaio de. Bexiga. Um Bairro Afro-Italiano: Comunicação, Cultura e Construção de Identidade Étnica. 2006. Dissertação (Mestrado em Comunicação). Escola de Comunicação e Artes – Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, 2006, pp. 37-39.


PROFESSORES

Prof.ª Dra. Danielle Franco da Rocha
Doutora em História Social pela PUC-SP, Mestre em Ciências Sociais e Bacharel em Ciências Econômicas pela PUC-SP. Professora e Pesquisadora do Instituto Bixiga. Professora de História e Educação Patrimonial nas Licenciaturas de História, Letras e Pedagogia. Professora do Curso de Especialização em História, Sociedade e Cultura da PUC-SP. Tem experiência nas áreas de História, Educação, Economia, Sociologia, e Serviço Social. Atuando nos seguintes temas: História Social da Cidade, Educação Patrimonial, História Brasileira e Latino Americana. Pesquisadora do Centro de Estudos de História da America Latina (CEHAL) do Programa de Estudos Pós-Graduados em História Social da PUC-SP.

Prof.º Dr. Edimilsom Peres Castilho
Doutor e Mestre em História Social pela PUC-SP. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Uberlândia. Professor e Pesquisador do Instituto Bixiga. Professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Ibirapuera UNIB. Professor do Curso de Especialização em História, Sociedade e Cultura da PUC-SP e do Curso de Especialização em Arquitetura e Urbanismo do SENAC-SP. Tem experiência nas áreas de História Social da Cidade, Arquitetura e Urbanismo, Arquitetura da Paisagem. Atuando nos seguintes temas: História e Cidade, Educação Patrimonial, História da Arquitetura e Urbanismo, Mapeamento e Informação em Cidade, Planejamento Territorial. Pesquisador do Núcleo de Estudos de História Social da Cidade (NEHSC) e do Centro de Estudos de História Latino-Americana (CEHAL) ambos do Programa de Estudos Pós-Graduados em História PUC-SP.

Prof.º Dr. Eribelto Peres Castilho
Doutor e Mestre em História Social pela PUC-SP. Bacharel em Direito pela PUC-SP. Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Professor e Pesquisador do Instituto Bixiga. Professor adjunto IV do Curso de Direito da Faculdade Zumbi dos Palmares (FAZP). Professor do Curso de Especialização em História, Sociedade e Cultura da PUC-SP. Tem experiência nas áreas de História, Economia, Direito, Ciência Política, Serviço Social, atuando nos seguintes temas: História e Economia Brasileira e Latino Americana, Direito, Sociologia, Serviço Social. Pesquisador do Centro de Estudos de História Latino-Americana (CEHAL) e do Núcleo de Estudos de História Social da Cidade (NEHSC), todos ligados ao Programa de Estudos Pós-Graduados em História da PUC-SP.

Carga Horária

02 horas/aula
Aos participantes serão conferidos certificados que podem ser aproveitados para as Atividades Complementares exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais.

*Ao se inscrever no curso o participante autoriza o INSTITUTO BIXIGA – PESQUISA, FORMAÇÃO E CULTURA POPULAR a utilizar suas imagens produzidas no âmbito do curso (fotografias e filmagens), para utilização em materiais de divulgação e publicações do instituto ou conforme outras necessidades dessa instituição, sem qualquer ônus material ou imaterial, por tempo indeterminado.

TEXTOS PARA DISCUSSÃO

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos como Monumento
do Povo Negro na cidade de São Paulo – Fabrício Forganes Santos e Nilson Ghirardello

https://www.eventoanap.org.br/data/inscricoes/7279/form2829211686.pdf

“Cidade em preto e branco: turismo, memória e as narrativas reivindicadas da São Paulo Negra” de Denise Rodrigues

https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100140/tde-23042021-120824/pt-br.php

VICISSITUDES DOS ESPAÇOS AFRO-BRASILEIROS: AS IGREJAS DE NOSSA
SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS DA CIDADE DE SÃO PAULO E DE SUAS
FREGUESIAS Fabricio Forganes Santos

https://www.ifch.unicamp.br/eha/atas/2017/Fabricio%20Forganes%20Santos.pdf

PENHA DE FRANÇA: ONDE O ROSÁRIO NOS UNE
SOBREVIVÊNCIAS CULTURAIS E TRANSFORMAÇÕES DO SER E DO
ESPAÇO EM UMA FESTA RELIGIOSA PAULISTANA

http://celacc.eca.usp.br/sites/default/files/media/tcc/festa_do_rosirio_-_revisado_ps_banca.pdf

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